Fecho
Vitória magra e algo sofrida, mas inteiramente justa na final da Taça da Liga frente a um Gil Vicente batalhador, e que nos permitiu fazer o tetra nesta competição. Aquela que, como o Benfica a ganha, outros fingem desdenhar. Depois alguns desses continuam a falar da final perdida há três anos, enquanto que outros se convencem que a Supertaça é muito mais importante.
O onze inicial, que incluía o Rodrigo e o Nélson Oliveira, apontava para uma possível insistência na táctica de dois pontas-de-lança, mas afinal o Rodrigo encostou-se à direita, permitindo um trio no meio campo composto pelo Matic, Witsel e Aimar. No banco ficaram jogadores como o Artur, Emerson, Javi, Gaitán e Cardozo, juntando-se ao castigado Luisão nas alterações ao onze mais habitual. A primeira parte foi bastante disputada, com o Benfica a parecer ter um pouco mais de posse de bola e com o Gil Vicente a assumir uma postura mais expectante, para depois responder sempre em contra-ataques bastante rápidos que levavam perigo à nossa baliza. O Benfica foi ganhando alguma superioridade na zona do meio campo, resultado das acções do Witsel e Matic, que me pareceram os jogadores mais esclarecidos, e acabou por chegar ao golo com meia hora decorrida. O Bruno César, depois de uma boa iniciativa individual na esquerda, onde deixou dois adversários pelo caminho, tirou um cruzamento longo bem puxado ao segundo poste, onde apareceu o Rodrigo a rematar cruzado para golo. Apesar de ainda ter ameaçado num bom remate, o Gil Vicente pareceu perder algum ímpeto com o golo sofrido, e antes do intervalo foi o seu guarda-redes quem evitou, com uma grande defesa, que o Witsel aumentasse a vantagem do Benfica.Derrota no derby e um muito provável triste e irremediável atraso nas contas do campeonato. O Benfica tinha que vencer obrigatoriamente este jogo para manter intactas as esperanças de sermos campeões, mas infelizmente deixámo-nos abater ao primeiro grande percalço e nunca mais conseguimos voltar a erguer a cabeça. Mostrámos muito pouco para quem tinha obrigação de vencer.
Faltou apenas o Aimar para que o Benfica apresentasse aquele que tem sido o onze tipo desta época. O Luisão e o Garay (e o Jardel também) afinal recuperaram a tempo e assim desapareceu o problema no centro da defesa. Para o lugar do Aimar a escolha foi o Rodrigo e, mais uma vez, não resultou. O Benfica até entrou bem no jogo. Durante os primeiros minutos foi mais pressionante e assumiu as despesas do jogo, frente a um adversário que apostou em pausar ao máximo o ritmo do jogo, apresentando uma boa organização defensiva para depois sair para o ataque apenas na certa. Infelizmente a melhor fase do Benfica durou pouco mais que quinze minutos. Foi o tempo até que o Arturinho exibisse um enorme rigor, de que pelos vistos se tinha esquecido no primeiro minuto de jogo, quando na primeira jogada do Benfica conseguiu transformar um derrube claro ao Gaitán num canto que só ele mesmo terá visto. Penálti assinalado ao Luisão, golo, e o Benfica como equipa começou a acabar ali. Não é que os jogadores tenham deixado de tentar, mas simplesmente as coisas começaram a correr cada vez pior, e quase não conseguimos construir uma jogada digna desse nome.Perdemos, estamos fora da Champions, mas não tenho nada a criticar à nossa equipa. Depois de um resultado injusto no primeiro jogo, com mão da arbitragem, vamos para este jogo sem defesas centrais, apanhamos com uma arbitragem caseirinha, jogamos mais de uma parte em inferioridade numérica, e mesmo assim conseguimos manter a eliminatória em aberto praticamente até ao último minuto. Caímos, mas de pé e sempre de cabeça bem erguida.
Com o Benfica dizimado no centro da defesa - os quatro centrais lesionados - avançaram o Javi García e o Emerson para essas posições. De resto, a equipa não teve outras surpresas, sendo o Matic e o Capdevila os escolhidos para ocupar as posições habituais dos dois novos centrais de ocasião. O Benfica entrou muito bem no jogo, fazendo o que lhe competia. Dado o resultado trazido da primeira mão, não tínhamos outra opção senão ir à procura do golo, e foi isso mesmo que fizemos desde o apito inicial, com o Chelsea a assumir uma posição mais expectante. Tivemos mais bola e tentámos o remate frequentemente, mas a direcção dos remates nem sempre foi a melhor. Também desde o início deu para ver qual a tendência do árbitro, que quase sempre ignorava qualquer queda de um jogador do Benfica, mas não adoptava o mesmo critério para o Chelsea. Para além disso era demasiado lesto a puxar do cartão, o que significou que num jogo nada violento aos vinte e cinco minutos de jogo já tínhamos quatro jogadores amarelados, e previa-se portanto que seria difícil mantermo-nos com onze até final. Antes disso, aos vinte minutos, o critério largo em relação às quedas de jogadores obviamente que não se manteve, e foi assinalado penálti do Javi sobre o Cole, que permitiu ao Chelsea rematar pela primeira vez à nossa baliza e colocar-se em vantagem. Não baixou os braços o Benfica, mas sofreu novo golpe ainda antes do intervalo, com o segundo amarelo (este pareceu-me que indiscutível) mostrado ao Maxi. No fim do primeiro tempo, o Chelsea tinha um remate à nossa baliza - o penálti - e dois no total.