Sunday, May 13, 2012

Fecho

Fecho do campeonato em Setúbal, num jogo típico de final de época, disputado num ritmo lento e marcado pelo enorme desacerto na finalização por parte do Benfica.

A primeira obrigação para este jogo era vencê-lo, e depois poderíamos pensar em ajudar o Cardozo a, pelo menos, evitar que outro jogador ganhasse o título de melhor marcador sem ter sequer que jogar. O Luís Martins manteve a titularidade na esquerda da defesa, e na direita apareceu o Witsel, com o meio campo a ficar entregue ao regressado Javi e ao Matic. Na frente coube ao Rodrigo fazer companhia ao Cardozo. A toada do jogo foi clara desde o início: pouca velocidade, o Benfica quase sempre com a posse da bola, e o Setúbal a meter toda a gente atrás da linha da mesma, tentando sair rapidamente para o contra-ataque. Também desde o início ficou evidente o desperdício do Benfica, e a inspiração do guarda-redes do Setúbal, Diego. Aos onze minutos não foi necessária qualquer intervenção do Diego para que o Rodrigo, à boca da baliza após centro do Witsel, falhasse o golo de forma inacreditável. Na resposta, contra a corrente do jogo e no primeiro remate que fez, o Setúbal mostrou a eficácia que nos faltou e colocou-se em vantagem, num lance em que conseguiu entrar pelo centro da nossa defesa aproveitando uma falha na defesa em linha.

Depois do golo, continuámos a assistir ao mesmo, com o duelo particular entre o Cardozo e a baliza do Setúbal a ter preponderância. Ou por falta de pontaria, ou por mérito do Diego, a verdade é que a bola teimava em não entrar. Foi preciso esperar até aos trinta e quatro minutos - logo a seguir ao Cardozo ter acertado na trave - para finalmente começar a inverter a injustiça no marcador. Desta vez o Cardozo não tentou o remate, e desviou apenas ligeiramente o centro do Rodrigo para a entrada do Bruno César, vindo de trás, que finalmente conseguiu bater o Diego. Que, diga-se, não pareceu ter ficado particularmente desmotivado com o golo sofrido, já que continuou em grande nível e evitou que saíssemos para intervalo em vantagem no marcador.

Após o intervalo entrou o Emerson para o lugar do Matic, o que fez com que o Luís Martins passasse para lateral direito e o Witsel fosse ocupar o seu lugar natural no meio campo. Não foi uma boa reentrada do Benfica no jogo, já que o ritmo com que jogávamos parecia ser ainda mais pausado do que na primeira parte, e o Setúbal chegou mesmo a atirar uma bola ao poste. Mas pouco depois de passado o primeiro quarto de hora, o Benfica fez o segundo golo, mais uma vez pelo Bruno César - que aproveitou uma assistência do Emerson para rematar à entrada da área, e a partir daí o Setúbal desapareceu completamente do jogo. Assistimos então a uma meia hora final em que o único interesse era ver se o Cardozo conseguiria ou não marcar um golo, e a coisa chegou quase a ser patética. Quando não era o Diego a negar-lhe o golo, era o paraguaio que não conseguia acertar com a baliza. Como nos filmes, foi preciso esperar mesmo até ao fim para assistirmos a um final feliz. Já sobre os noventa, a passe do Saviola que o deixou na cara do Diego, o Cardozo lá arranjou lucidez suficiente para tirar o guarda-redes do caminho e, de pé direito, alcançar o golo que tanto procurou (deve ter terminado o jogo com uns quinze remates tentados).

O homem do jogo é o Bruno César, autor de dois golos e de uma exibição agradável. Também gostei de ver o Witsel jogar, particularmente quando passou para o meio campo, mas começa a parecer-me que é muito difícil que o belga consiga fazer um jogo que me desagrade.

Acabou a competição, e vamos para o defeso com a frustração de um campeonato perdido e a sensação de que o perdemos mesmo sendo a melhor equipa, e aquela que melhor futebol mostrou esta época. Alguns factores do costume ajudaram a que isso acontecesse, mas não foram exclusivos. Espero que se reflicta bem sobre aquilo que, da nossa parte, pode e deve ser melhorado e corrigido. Porque ao contrário daquilo que o Luisão afirmou no final, na minha opinião nem todos poderão ir de férias com a consciência assim tão tranquila.

Sunday, May 06, 2012

Mínimo

Jogo fraco e até deprimente para fechar o campeonato na Luz. A magra vitória pela margem mínima é um justo reflexo da pálida exibição do Benfica - a perder qualidade ao longo do tempo - frente a uma União de Leiria retalhada que fez pela vida e deixou uma imagem digna no relvado.

As novidades no onze foram a titularidade do Djaló e do Luís Martins, mas pouco há a dizer sobre este jogo, que nem merece uma crónica exaustiva. O interesse desportivo era reduzido: apenas confirmar já o acesso directo à Champions da próxima época. Talvez se pudesse ajudar o Cardozo na luta pelo título de melhor marcador, mas nem a equipa o ajudou muito, nem ele se ajudou a si próprio e saiu em branco. O jogo acabou decidido com um golo do Bruno César, de livre directo, perto dos vinte minutos. O Leiria nunca conseguiu criar uma verdadeira oportunidade de golo, e o Benfica revelou pouca velocidade e sobretudo pouca motivação para ultrapassar a defesa do Leiria, e quando isso eventualmente acontecia estava lá o emprestado Oblak para defender. A qualidade do nosso jogo, sem que alguma vez tenha sido brilhante, foi caindo com o passar dos minutos, e a segunda parte foi mesmo muito pobre e desinteressante. O domínio do Benfica foi sempre constante (não se esperaria outra coisa frente a esta equipa), mas nunca pareceu haver muito empenho da parte da equipa para fazer muito mais do que o mínimo necessário, e foi isso mesmo que acabaram por conseguir.

Acabaram-se os jogos na Luz esta época. Agora resta esperar pela próxima. Melhor, de preferência.

Sunday, April 29, 2012

Final

Ponto final no campeonato, após um empate frente ao Rio Ave, num jogo animado e no qual os nossos jogadores tentaram fazer o possível para adiar a decisão do título.

Saída do Saviola do onze para o regresso do Witsel, e entrada forte do Rio Ave no jogo, com muita pressão logo à saída do meio campo, que resultou em diversas perdas de bola do Benfica e muitos passes e recepções falhadas. Esta entrada do Rio Ave deu frutos logo aos oito minutos, com o golo a surgir depois de uma hesitação entre o Artur e o Luisão, com ambos a acabar por não atacar uma bola centrada da esquerda e a deixá-la passar para uma finalização fácil à boca da baliza. O Benfica reagiu ao golo, e foi lentamente tomando conta do jogo e acercando-se da baliza do Rio Ave, que no entanto não deixava de tentar criar perigo em contra-ataques rápidos, sobretudo quando explorava o adiantamento do Maxi. Depois de alguns remates disparatados, o empate acabou por surgir aos trinta e sete minutos, pelos pés do Nolito, que no interior da área aproveitou bem um corte incompleto de um defesa. Três minutos depois fiquei seriamente preocupado com a saúde mental do Olegário, que incrivelmente assinalou um penálti a nosso favor. O Cardozo fechou os olhos e chutou com toda a força para fazer a bola passar literalmente entre as mãos do guarda-redes para o fundo da baliza.

Ao intervalo o nosso treinador fez uma substituição algo inesperada, trocando o Matic pelo Saviola. O Benfica entrou bem, ameaçou marcar, mas após cinco minutos o Rio Ave subiu pela primeira vez e empatou de novo o jogo, num lance em que o Yazalde foi deixado muito à vontade dentro da área para cabecear um centro novamente vindo da esquerda. O Benfica acusou o golo, e passámos por alguns minutos de desnorte durante os quais o Rio Ave foi a equipa mais perigosa. Só quando faltavam vinte minutos para o final é que as coisas se alteraram, quando o Jesus de certa forma emendou a mão e fez entrar o Javi para o lugar do Aimar, avançando o Witsel no terreno, tendo pouco depois feito entrar o Gaitán para o lugar do Bruno César. O Benfica a partir daí tomou conta do jogo e obrigou o guarda-redes do Rio Ave a brilhar com grande intensidade, e o Olegário ainda mais. Mostrou que a minha preocupação da primeira parte era infundada, e que voltou em grande forma da lesão, sonegando-nos dois penáltis claros após o Cardozo e o Saviola serem abalroados pelas costas. No final, empate no marcador, e depois dali ao Porto foi só um saltinho para ir participar na festa.

Maxi (sobretudo a apoiar o ataque), Witsel e Nolito terão talvez sido os melhores do nosso lado, num jogo em que não houve nenhuma exibição de grande realce. O Cardozo foi hoje, na maioria das vezes, um estorvo para a equipa. E só não digo que o penálti foi mal marcado porque entrou, e todos os penáltis que dão golo são bem marcados.

Pareceu-me que foi um bom jogo para sentenciar esta liga. Exemplificou muitas das coisas que nela se passaram e que ditaram o seu desfecho desfavorável para nós - incluindo factores que nos são alheios, e outros pelos quais somos exclusivamente responsáveis. Temos a obrigação de corrigir estes últimos. Quanto aos primeiros, já perdi a esperança das coisas mudarem.

Sunday, April 22, 2012

Agradável

Vitória tranquila e dilatada sobre o Marítimo, num jogo em que o Benfica entrou muito bem e dominou claramente, depois relaxou durante alguns minutos, e após  apanhar o tradicional susto voltou a acordar e não mais cedeu o controlo. No todo, uma exibição agradável.



Com o Capdevila e o Matic a manterem a titularidade, o Benfica surgiu ainda com o Saviola e o Nolito de regresso à titularidade. E foi um feliz regresso, já que ambos tiveram influência directa no bom início de jogo do Benfica, e nas contas finais da vitória. O nosso início de jogo foi a todo o gás, empurrando o Marítimo para a sua baliza e jogando em velocidade, com trocas constantes de posição entre os jogadores e fazendo a bola circular rapidamente e ao primeiro toque. Para isto contribuiu também o Saviola, que apareceu a jogar bastante solto e a fazer uso da sua inteligência para ocupar os espaços certos na altura certa. O Marítimo viu-se completamente desorientado e não estou a exagerar se disse que durante o primeiro quarto de hora nem sequer conseguiu passar da linha do meio campo. Foi precisamente a fechar este primeiro quarto de hora que o Benfica deu expressão à sua superioridade, com um golo do Nolito, que finalizou com um remate de primeira, de pé esquerdo e no interior da área, uma boa assistência do Aimar após mais uma incursão do Maxi pela direita. Sem abrandar o ritmo, quatro minutos depois o mesmo Nolito fazia o segundo golo, picando a bola sobre o guarda-redes após ser isolado por um grande passe do Saviola. Só por volta da meia hora de jogo é que o Benfica relaxou um pouco, permitindo finalmente ao Marítimo ter um pouco de bola, mas o sinal mais durante a primeira parte continuou sempre a ser do Benfica, que até poderia ter dilatado mais a vantagem.


O Marítimo veio diferente para a segunda parte, jogando com um ponta-de-lança mais fixo, e com melhor atitude. Aproveitando talvez algum relaxamento do Benfica, cedo criou perigo e obrigou o Artur a brilhar por duas vezes no mesmo lance, mas sete minutos após o reinício do jogo marcou mesmo, com o Sami a aproveitar um buraco no centro da defesa e a desviar a bola à saída do Artur. Durante alguns minutos após o golo o Benfica acusou o golpe, e o Marítimo terá acreditado que seria possível chegar ao empate, mas a vinte e cinco minutos do final o Jorge Jesus mexeu na equipa, tirando a dupla argentina Aimar/Saviola, que já acusava desgaste, e colocando em campo o Javi e o Rodrigo, arrumando a equipa num 4-4-2 mais clássico. As substituições foram felizes, já que no mesmo minuto, e logo na primeira vez em que tocou na bola, o Rodrigo fez o terceiro golo do Benfica. Foi uma finalização fácil à boca da baliza, a passe do Nolito da esquerda e após uma boa jogada do nosso ataque. O Marítimo ainda voltou a obrigar o Artur a brilhar, mas quatro minutos depois do terceiro golo veio o quarto, que sentenciou de vez o jogo. Mais uma vez o golo nasceu nos pés do Nolito, que com um grande passe a rasgar da esquerda para a direita, por entre os defesas do Marítimo, deixou o Bruno César na cara do guarda-redes, tendo este finalizado sem grande dificuldade. Depois deste golo, e mesmo com a entrada do Nélson Oliveira, o ritmo do jogo caiu bastante, e o Benfica praticamente limitou-se a gerir o resultado até final.


O homem do jogo só pode ser o Nolito. Dois golos e dias assistências deixam-no directamente ligado a todos os golos do Benfica. Foi um feliz regresso à titularidade, num jogo em quase tudo lhe saiu bem. Gostei muito da primeira parte do Saviola, ao nível do melhor a que ele nos habituou. Bom jogo também do Artur, com duas ou três intervenções de grande nível, e também do Maxi, no habitual papel de dinamizador do lado direito.

Pouco mais podemos fazer agora senão ir ganhando os nossos jogos até final. Hoje isso foi conseguido com eficiência, e o resultado foi pelo menos importante para aumentarmos a vantagem sobre o terceiro classificado. Foi também agradável voltar a ver futebol à luz do dia na Luz, o que terá ajudado a chegarmos aos 40.000 espectadores. Infelizmente foi necessário um horário menos habitual num jogo importante de um campeonato estrangeiro para que pudéssemos ter este pequeno prazer.

Sunday, April 15, 2012

Tetra

Vitória magra e algo sofrida, mas inteiramente justa na final da Taça da Liga frente a um Gil Vicente batalhador, e que nos permitiu fazer o tetra nesta competição. Aquela que, como o Benfica a ganha, outros fingem desdenhar. Depois alguns desses continuam a falar da final perdida há três anos, enquanto que outros se convencem que a Supertaça é muito mais importante.

O onze inicial, que incluía o Rodrigo e o Nélson Oliveira, apontava para uma possível insistência na táctica de dois pontas-de-lança, mas afinal o Rodrigo encostou-se à direita, permitindo um trio no meio campo composto pelo Matic, Witsel e Aimar. No banco ficaram jogadores como o Artur, Emerson, Javi, Gaitán e Cardozo, juntando-se ao castigado Luisão nas alterações ao onze mais habitual. A primeira parte foi bastante disputada, com o Benfica a parecer ter um pouco mais de posse de bola e com o Gil Vicente a assumir uma postura mais expectante, para depois responder sempre em contra-ataques bastante rápidos que levavam perigo à nossa baliza. O Benfica foi ganhando alguma superioridade na zona do meio campo, resultado das acções do Witsel e Matic, que me pareceram os jogadores mais esclarecidos, e acabou por chegar ao golo com meia hora decorrida. O Bruno César, depois de uma boa iniciativa individual na esquerda, onde deixou dois adversários pelo caminho, tirou um cruzamento longo bem puxado ao segundo poste, onde apareceu o Rodrigo a rematar cruzado para golo. Apesar de ainda ter ameaçado num bom remate, o Gil Vicente pareceu perder algum ímpeto com o golo sofrido, e antes do intervalo foi o seu guarda-redes quem evitou, com uma grande defesa, que o Witsel aumentasse a vantagem do Benfica.

Regressámos para a segunda parte com o Gaitán no lugar do Nélson Oliveira (passou o Rodrigo para ponta-de-lança), e com alguma vontade de resolver o jogo. Com o Gil Vicente a mostrar-se incapaz de responder como tinha feito durante a primeira parte, foi o Benfica quem jogou mais no meio campo adversário e ameaçou o segundo golo, vendo-o ser negado mais uma vez pelo guarda-redes Adriano, desta vez num remate do Rodrigo. Pouco depois da hora de jogo, o Aimar saiu (aparentemente tocado), entrando o Cardozo e, sem surpresa, o jogo ofensivo do Benfica ressentiu-se. O Gil Vicente continuava a ser pouco mais que inofensivo no ataque, e à medida que o tempo foi passando foi tentando arriscar cada vez mais, mas a verdade é que a bola pouco rondava a nossa baliza. Mas a dez minutos do final (numa altura em que se preparava a entrada do Javi para reorganizar a equipa visto que, mais uma vez, os dois avançados com o Rodrigo a fazer de Aimar não estavam a resultar), talvez no primeiro remate que o Gil Vicente conseguiu fazer à nossa baliza na segunda parte, chegou ao empate. O nosso treinador emendou a mão e mandou para dentro do canto o Saviola em vez do Javi. E não foi preciso esperar muito tempo pelo resultado: um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola, o Conejo aproveitou uma defesa incompleta do Adriano (uma grande defesa, diga-se) a um remate do Witsel para voltar a colocar o Benfica na frente, situação que foi depois mantida até final sem sobressaltos.

Melhores do Benfica, para mim, Matic e Witsel. Numa final sem grandes brilhos, pareceram-me ser os jogadores mais esclarecidos e com melhor atitude em campo. O primeiro sobretudo nas tarefas defensivas - onde parece mostrar franca evolução, sobretudo no posicionamento e compensações aos colegas da defesa, e o segundo nas transições para o ataque.

Cumprimos a obrigação e vencemos a Taça da Liga, como se exigia. Não é uma conquista que por si só nos satisfaça, mas é um troféu oficial e perdê-lo é que também não era admissível. Agora é normal que várias pessoas tentem com afinco desvalorizá-lo ao máximo, visto termo-lo conquistado. No fundo, o Rodrigo conseguiu definir a situação na perfeição: "Se tivéssemos perdido as pessoas iam achar que era a Liga dos Campeões. Como vencemos vão tratar este troféu apenas como a Taça da Liga." Por mim, fico contente com a conquista. Agora é concentrarmo-nos em vencer todos os jogos que faltam até final da época.

Monday, April 09, 2012

Pouco

Derrota no derby e um muito provável triste e irremediável atraso nas contas do campeonato. O Benfica tinha que vencer obrigatoriamente este jogo para manter intactas as esperanças de sermos campeões, mas infelizmente deixámo-nos abater ao primeiro grande percalço e nunca mais conseguimos voltar a erguer a cabeça. Mostrámos muito pouco para quem tinha obrigação de vencer.

Faltou apenas o Aimar para que o Benfica apresentasse aquele que tem sido o onze tipo desta época. O Luisão e o Garay (e o Jardel também) afinal recuperaram a tempo e assim desapareceu o problema no centro da defesa. Para o lugar do Aimar a escolha foi o Rodrigo e, mais uma vez, não resultou. O Benfica até entrou bem no jogo. Durante os primeiros minutos foi mais pressionante e assumiu as despesas do jogo, frente a um adversário que apostou em pausar ao máximo o ritmo do jogo, apresentando uma boa organização defensiva para depois sair para o ataque apenas na certa. Infelizmente a melhor fase do Benfica durou pouco mais que quinze minutos. Foi o tempo até que o Arturinho exibisse um enorme rigor, de que pelos vistos se tinha esquecido no primeiro minuto de jogo, quando na primeira jogada do Benfica conseguiu transformar um derrube claro ao Gaitán num canto que só ele mesmo terá visto. Penálti assinalado ao Luisão, golo, e o Benfica como equipa começou a acabar ali. Não é que os jogadores tenham deixado de tentar, mas simplesmente as coisas começaram a correr cada vez pior, e quase não conseguimos construir uma jogada digna desse nome.

Se a falta do Aimar na primeira parte já se notou, na segunda ela foi gritante. A entrada do Djaló de pouco ou nada serviu. Na minha opinião o Benfica tem apenas um jogador no plantel capaz de disfarçar a ausência do nosso dez na organização de jogo, que é o Witsel, mas as opções do banco foram-no atirando cada vez mais para trás no terreno de jogo. Aliás, essas opções não ajudaram em nada o nosso jogo, só o pioraram e tornaram progressivamente mais confuso. A nossa segunda parte foi paupérrima. Apesar de termos posse de bola, pouco ou nada conseguíamos fazer com ela a não ser circulá-la entre os nossos jogadores sem conseguir entrar na defesa adversária. Julgo que terá havido apenas uma real oportunidade de golo, numa bola salva em cima da linha de golo. Nem sequer as bolas paradas nos safaram - apesar de termos beneficiado de alguns livres, foram praticamente todos mal marcados pelo Bruno César. Quanto ao adversário, continuou a fazer o mesmo que fez na primeira parte e justificou a vitória. Manteve-se organizado na defesa e saiu bem e na certa para o ataque, conseguindo assim criar uma mão cheia de oportunidades para dilatar o resultado. Apenas um grande Artur e uma boa dose de felicidade impediram que o jogo ficasse decidido antes. Sobre o final, o Arturinho não quis interromper a tradição e, expulsando o Luisão, conseguiu assim que o Benfica acabasse em inferioridade numérica o terceiro jogo consecutivo para o campeonato frente a este adversário. Somos uma equipa azarada.

Os melhores do Benfica foram, para mim, o Artur (literalmente evitou dois ou três golos) e o Witsel, um dos poucos a conseguir manter alguma lucidez durante todo o jogo. Muito mal o Javi García - talvez um dos piores jogos que o vi fazer no Benfica. Pareceu estar fisicamente de rastos, não se impôs na sua zona, e teve erros que nunca o tinha visto fazer, sendo o exemplo mais flagrante o lance em que isolou um adversário com um passe disparatado para trás. Outros jogadores como o Maxi ou o Gaitán também me pareceram ter estoirado rapidamente. No caso do Maxi, durante quase toda a segunda parte lutou e esteve sempre avançado no campo, mas constantemente sem recuar para defender quando perdia a bola, tornando o nosso lado direito uma autêntica avenida. O Cardozo nem se viu, mas também quase não lhe chegou jogo nenhum.

Exigia muito mais do Benfica num jogo destes. Sim, é verdade que mais uma vez também houve um artista extra no relvado, mas já sabemos que estes factores estão frequentemente presentes nos nossos jogos decisivos e
não podemos contar que sejam em nosso favor - ao contrário dos outros: antes do jogo começar, enquanto esperava à porta para entrar, um adepto adversário que vá-se lá saber porquê pensou que eu era da cor dele meteu conversa e expressava-me a sua satisfação com a nomeação do Arturinho porque, segundo ele, 'em caso de dúvida este cai para o Porto, o que é bom para nós'. Mas isso ainda assim não justifica o péssimo jogo que fizemos. Somos o Benfica, e no mínimo temos que conseguir levantar a cabeça quando infortúnios se abatem sobre nós. Hoje, pelo contrário, pareceu-me que a equipa se veio muito abaixo depois do golo, e em jogo jogado, com toda a honestidade, creio que não pode haver qualquer discussão sobre a justiça do resultado.

P.S.- Estou pior que estragado com o que se passou hoje. E por isso critico o que acho que deve ser criticado, e expresso o meu descontentamento. Agora tudo o que forem extrapolações, para isso não contribuo. O meu lugar é (sempre) na bancada, a gritar pelo Benfica.

Thursday, April 05, 2012

Orgulho

Perdemos, estamos fora da Champions, mas não tenho nada a criticar à nossa equipa. Depois de um resultado injusto no primeiro jogo, com mão da arbitragem, vamos para este jogo sem defesas centrais, apanhamos com uma arbitragem caseirinha, jogamos mais de uma parte em inferioridade numérica, e mesmo assim conseguimos manter a eliminatória em aberto praticamente até ao último minuto. Caímos, mas de pé e sempre de cabeça bem erguida.

Com o Benfica dizimado no centro da defesa - os quatro centrais lesionados - avançaram o Javi García e o Emerson para essas posições. De resto, a equipa não teve outras surpresas, sendo o Matic e o Capdevila os escolhidos para ocupar as posições habituais dos dois novos centrais de ocasião. O Benfica entrou muito bem no jogo, fazendo o que lhe competia. Dado o resultado trazido da primeira mão, não tínhamos outra opção senão ir à procura do golo, e foi isso mesmo que fizemos desde o apito inicial, com o Chelsea a assumir uma posição mais expectante. Tivemos mais bola e tentámos o remate frequentemente, mas a direcção dos remates nem sempre foi a melhor. Também desde o início deu para ver qual a tendência do árbitro, que quase sempre ignorava qualquer queda de um jogador do Benfica, mas não adoptava o mesmo critério para o Chelsea. Para além disso era demasiado lesto a puxar do cartão, o que significou que num jogo nada violento aos vinte e cinco minutos de jogo já tínhamos quatro jogadores amarelados, e previa-se portanto que seria difícil mantermo-nos com onze até final. Antes disso, aos vinte minutos, o critério largo em relação às quedas de jogadores obviamente que não se manteve, e foi assinalado penálti do Javi sobre o Cole, que permitiu ao Chelsea rematar pela primeira vez à nossa baliza e colocar-se em vantagem. Não baixou os braços o Benfica, mas sofreu novo golpe ainda antes do intervalo, com o segundo amarelo (este pareceu-me que indiscutível) mostrado ao Maxi. No fim do primeiro tempo, o Chelsea tinha um remate à nossa baliza - o penálti - e dois no total.

Em desvantagem, com dez jogadores, o Benfica veio para a segunda parte sem virar a cara à luta. O Witsel foi fechar a direita, e a equipa continuou a perseguir o resultado e a eliminatória. O jogo acabou por ser muito mais aberto do que na primeira parte. Com os riscos que corria, o Benfica também deixava muito mais espaços atrás, já que na maior parte das vezes apenas defendia com cinco jogadores, e por isso o Chelsea aproveitava para construir oportunidades para matar o jogo mas agora, quando não eram os nossos jogadores a cortar os lances, eram os jogadores do Chelsea a revelar pouca pontaria. A meia hora do final houve a racionalidade de nos lembrarmos que temos um jogo muito importante para o Campeonato em breve, e por isso o Gaitán e o Cardozo (pouco depois também o Bruno César) foram poupados, mas os jogadores que entraram trouxeram mais velocidade à equipa e continuaram a luta por um resultado mais justo. A cinco minutos do final o Javi, de cabeça, marcou após canto do Aimar e assustou muito os ingleses, deixando-nos sonhar durante algum tempo. Mas já em período de descontos, numa altura em que o risco era total, acabámos surpreendidos num contra-ataque.

Todos os jogadores estão de parabéns pela atitude demonstrada, e pelo que fizeram. Mas quero mencionar o grande jogo que o Matic fez esta noite, ganhando inúmeras bolas no meio campo e sendo um precioso auxílio à defesa - muitas vezes praticamente o único. Jogo muito bom também do Emerson, o que até nem me surpreende muito. Eu creio que o Emerson já mostrou que sabe defender, e que o maior problema dele é mesmo a falta de velocidade, o que acaba por comprometê-lo quando sobe no terreno e depois não consegue recuperar a posição a tempo. Jogando a central, esteve sempre bem posicionalmente, revelou muita frieza com a bola nos pés mesmo quando estava pressionado por adversários, e conseguiu alguns cortes e desarmes de grande qualidade. Grande jogo também do outro central adaptado. O Javi foi grande na defesa, e ainda conseguiu ir lá à frente marcar o golo que já justificávamos.

Perdemos, mas face a todas as vicissitudes deste jogo e os condicionalismos que enfrentámos antes e durante o mesmo, julgo que podemos sentir muito orgulho na forma como os nossos jogadores defenderam o nosso emblema. Às vezes também se pode ganhar algo numa derrota, e espero que hoje tenhamos ganho a atitude e espírito de equipa necessários para vencermos este campeonato.
Porque a jogar e a lutar com a genica e o fervor de hoje, será impossível encontrar rival neste nosso Portugal.