Sunday, December 13, 2009

Horrível

Esperávamos esta noite uma exibição categórica do Benfica e uma vitória, de forma a passarmos a pressão para o lado dos adversários e garantirmos pelo menos três pontos de avanço na recepção aos andrades para a semana. Em vez disso o Benfica 'presenteou-nos' com aquela que terá sido talvez a pior exibição da época, que terminou com um empate arrancado a ferros e, pior ainda, como um mal nunca vem só nos deixou perante um cenário muito complicado no que diz respeito a ausências de jogadores-chave para a referida recepção aos andrades.

O pormenor mais importante na equipa que alinhou de início esta noite foi, obviamente, a ausência do Aimar. E as opções que foram tomadas para o substituir. No onze, entrou o Fábio Coentrão. No campo, a primeira aposta para aquelas funções foi o Di María, e depois o Ramires. Ambas falhadas. No caso do Ramires, com os resultados que já se viram anteriormente, porque ele não parece sair-se bem em funções que lhe exijam maior creatividade. Quanto ao Di María, tentou fazer ali aquilo que está habituado a fazer nas alas, ou seja, transportar a bola rapidamente para a frente, através de acções individuais. Não funcionou, porque no meio apanha muitos mais adversários pela frente, e por isso acabou por perder inúmeras bolas, precisamente por se agarrar demasiado à bola e não a fazer circular. Passou depois para a direita, onde também esteve mal - aliás, nos últimos jogos ele tem passado por ali em diversas ocasiões, e em quase todas elas tem-se saído mal. Quanto ao jogo em si, iniciou-se mostrando um mau futebol. Alguma velocidade, mas muitos passes falhados, e muita luta por bolas divididas. Depois, para complicar o cenário, o Olhanense colocou-se na frente logo aos nove minutos, naquele que foi o primeiro remate à nossa baliza. Livre do lado direito da nossa defesa, e o Maxi Pereira a fazer um corte de cabeça defeituoso e perigosíssimo para o segundo poste, onde apareceu um adversário completamente à vontade a cabecear para o golo, perante a passividade do César Peixoto. Sabemos que, esta época, o Benfica ainda não conseguiu vencer nenhum dos jogos em que o seu adversário se colocou em vantagem. A reacção ao golo, no entanto, não foi má de todo. Conseguimos organizar-nos, começar a exercer algum controlo, e a construir, finalmente, algumas boas jogadas de ataque.

As perspectivas melhoraram quando, cerca dos vinte e cinco minutos de jogo, o Olhanense ficou reduzido a dez. Como sempre, num jogo contra o Benfica, os nossos adversários pareceram estar demasiado nervosos e alterados, interessadíssimos em arranjar discussões e confusão. Desta saiu um amarelo para o Cardozo, e um vermelho para o jogador que estupidamente agrediu o Coentrão quando este estava no chão. E quase de seguida, ainda antes da meia hora de jogo, as perspectivas tornaram-se ainda mais animadoras quando o Saviola, no sítio do costume (ao segundo poste), aproveitou um canto para empatar o jogo. Com vantagem numérica, o jogo empatado, e ainda tanto tempo para jogar, era legítimo aspirarmos a uma vitória. Puro engano. Não contava com tiros no próprio pé. Cinco minutos depois conseguimos dar o primeiro, consentindo o segundo golo do Olhanense. Depois do César Peixoto ter cometido uma falta escusada na esquerda, o cruzamento foi encontrar um jogador do Olhanense escandalosamente à vontade, entre o Javi e o David Luiz, que cabeceou para fazer o segundo golo do Olhanense noutros tantos remates à nossa baliza. Sinceramente, confesso que este lance me convenceu que hoje não venceríamos o jogo. Sei que ainda faltava muito tempo, mas conceder dois golos daquela forma, especialmente o segundo, era prova mais do que suficiente de que havia algo horrivelmente errado com a nossa equipa. E como que para confirmar isto, antes do intervalo o Di María juntou a uma exibição perfeitamente inconsequente um vermelho que só posso classificar de perfeitamente parvo (entretanto já o Saviola tinha falhado uma oportunidade que normalmente não desperdiçaria). E se isto não era já suficiente, o Ramires ainda se lesionou com aparente gravidade, tendo que abandonar o jogo.

Para a segunda parte, já com Felipe Menezes no lugar do Ramires, o Olhanense pareceu pura e simplesmente abdicar do ataque. Isto justifica que, apesar da exibição horrível, o Benfica tenha conseguido passar o tempo quase todo no último terço do campo, onde se acantonavam os dez jogadores adversários. Mas apesar de toda a posse de bola e do domínio territorial, a desinspiração era quase total, e as únicas jogadas em que os nossos jogadores insistiam era fazerem cruzamentos sucessivos para a área, invariavelmente condenados ao insucesso. Quase não se viam tabelas entre jogadores, não havia movimentações para fugir às marcações, e a bola andava ali a rondar de um lado para o outro do campo sem que criássemos oportunidades para marcar. Perante tamanho domínio territorial, a opção táctica foi óbvia, ou seja, retirar um jogador da defesa - ficámos apenas com três defesas - para lançar o Weldon no ataque. Não resultou, e a falta de ideias continuava a revelar-se de forma extremamente irritante. O Menezes, que supostamente terá entrado para trazer alguma clarividência e criatividade na organização de jogadas de ataque, rapidamente se afundou na mediania colectiva. Nos últimos minutos ainda entrou mais um avançado (Nuno Gomes) para o tudo por tudo. E só no período de compensação, quando o Olhanense já estava reduzido a nove e o Luisão já actuava a ponta-de-lança, chegámos ao empate, com o Nuno Gomes a aproveitar uma assistência de cabeça (precisamente do Luisão) para marcar. Mesmo assim, e como que para nos dar uma derradeira demonstração do quão má foi a noite, o Olhanense, no único remate que acabou por fazer em toda a segunda parte, ainda poderia ter chegado à vitória mesmo a fechar o jogo.

Pela positiva hoje não destaco ninguém. Hoje foi a equipa num todo a desiludir-me e a irritar-me. Não sei como foi possível consentir um golo como aquele segundo do Olhanense. E não sei o que foi feito de toda a criatividade e alegria no ataque com que esta equipa já nos presenteou diversas vezes esta época. Mas se não consigo escolher alguém para destacar positivamente, já no plano oposto, e apesar da mediania geral da equipa, não tenho qualquer dificuldade em apontar o dedo à exibição do Di María. Enquanto esteve em campo, produziu muito pouco. E depois borrou tudo com uma expulsão perfeitamente estúpida, que não só anulou a vantagem numérica da sua equipa neste jogo, como ainda o deixa de fora para o importante jogo da próxima jornada. Não há qualquer justificação para aquela atitude.

Face aos números puros e duros, podemos dizer que o empate não é um resultado injusto para o Benfica. Mas olhando à qualidade do futebol que apresentámos, julgo que podemos considerarmo-nos felizes por o termos obtido nos instantes finais do jogo. Porque julgo que não será necessário puxarmos muito pela memória para nos lembrarmos de jogos em que, jogando desta forma, chegámos ao final com uma derrota. E para além dos dois pontos deixados hoje em Olhão, temos agora a preocupação acrescida da verdadeira razia que o nosso meio campo sofreu para o jogo da próxima jornada. Afigura-se o cenário de termos os nossos três médios mais ofensivos (Ramires, Di María e Aimar) indisponíveis, ao que acresce a indisponibilidade de dois dos que seriam os seus substitutos naturais (Coentrão e Amorim). Mesmo perante estas contrariedades, a minha confiança mantem-se. Mas também preciso que a nossa equipa me ajude a manter esta confiança. Porque não é com exibições como a desta noite que conseguiremos chegar ao final no primeiro lugar.

Sunday, December 06, 2009

Eficácia

Regresso às vitórias folgadas, num jogo em que, não havendo brilhantismo, houve uma exibição segura e uma grande eficácia, num jogo que fica também marcado pelo dilúvio que se abateu sobre o relvado da Luz, e que acabou por influenciar a qualidade do futebol jogado, em particular durante a fase final do jogo. E já que menciono o dilúvio, é de destacar o facto de nem este, nem o horário do jogo terem impedido que mais de 41.000 espectadores se tenham deslocado à Luz.

Sem o castigado Javi García (não tenho a certeza, mas julgo que terá sido o primeiro jogo oficial desta época em que o espanhol ficou de fora), a opção foi a troca directa pelo Rúben Amorim, sendo também de realçar o regresso do Luisão ao centro da defesa. De resto, os suspeitos do costume. Mesmo o aimar, que estava em dúvida, apareceu de início, e fisicamente pareceu estar muito bem. Do outro lado, surgiu uma Académica a jogar de forma bastante descomplexada, num 4-3-3 com três jogadores bem abertos na frente. Poder-se-á argumentar que o facto de se terem visto em desvantagem muito cedo terá levado a Académica a jogar desta forma mais aberta, mas mesmo antes do nosso golo já dava para observar esta atitude, e já os tinha visto antes (no Estádio do Ladrão, por exemplo) a jogar assim. Conforme disse, chegámos cedo ao golo, numa jogada em que o Saviola isolou o Cardozo nas costas da defesa, e este marcou facilmente. A Académica jogava com uma defesa em linha, subida no terreno, e isto proporcionava espaços nas suas costas, que poderiam ser explorados pelos nossos avançados. O golo madrugador provocou uma boa resposta dos nossos adversários, que durante os minutos que se seguiram teve o melhor período no jogo. Mesmo sem conseguir criar grande perigo, conseguiram ter a bola durante ba parte do tempo, jogando no nosso meio campo, enquanto que nós passámos um período extenso sem sequer rematar à baliza da Académica.

Este período terminou cerca da meia hora de jogo, e o resultado quase imediato foi o segundo golo, da autoria do Saviola. Foi um golo para levantar o estádio, em que após um passe do Maxi ele ficou solto sobre a direita e, quando se esperaria um remate cruzado, ele levantou a cabeça e fez, com muita classe (e classe é a palavra que parece sempre aplicar-se com perfeição a tudo o que o Saviola faz em campo) um chapéu perfeito ao guarda-redes. A Académica pareceu acusar bastante este golo, e não mais conseguiu voltar a ter um período tão bom no jogo como aquele que mediou os nossos dois golos. Até ao intervalo, e com o Aimar a aparecer finalmente um pouco no jogo, foi o Benfica quem tomou conta das operações, dando a impressão de que poderia ampliar a vantagem. A sensação com que cheguei ao intervalo foi a de que o Benfica vencia o jogo de uma forma muito natural, e sem ter sido necessário demasiado esforço para se colocar nesta situação.

A segunda parte iniciou como uma continuação dos minutos finais da primeira. O Benfica no comando do jogo, e ameaçando chegar a mais um golo, o que acabou mesmo por acontecer. Novamente pelo Cardozo (que momentos antes, isolado novamente pelo Saviola, tinha sido lento a rematar e foi desarmado), numa recarga de cabeça após defesa incompleta do guarda-redes a um remate cruzado do Di María. Não houve muito mais história no jogo até final. A chuva intensa foi alagando cada vez mais o relvado, dificultando a tarefa dos jogadores. O único facto de realce acabou mesmo por ser o quarto golo do Benfica, mais uma vez pelo invitável Cardozo, desta vez a finalizar de cabeça um livre marcado na direita pelo Di María. Já sem Saviola, Aimar e Cardozo em campo, a Académica acabou por aproveitar alguns livres de que dispôs no período final do jogo para enviar a bola para junto da nossa baliza, ameaçando ainda a nossa baliza, mas o Quim respondeu bem numa situação, e nas outras foi a Académica quem não conseguiu acertar no alvo.

O Cardozo marcou três golos e, só por isso, teria que ser destacado. Afinal de contas, terminou de forma fulgurante com um 'jejum' de dois jogos sem marcar (a palavra 'crise' chegou a ser empregada por alguma comunicação social). Mas ele fez mais do que 'simplesmente' marcar três golos. Foi sempre a referência que se quer no ataque, ganhando um número anormal de bolas altas, e solicitando os colegas na altura certa. Grande jogo do paraguaio, merecendo bem os aplausos de pé com que foi brindado na altura da substituição. Depois há o Saviola. Já não tenho muitos adjectivos para classificar a qualidade deste jogador. Sinceramente, acho que a Liga Portuguesa não é sequer digna de ter um jogador destes, até porque pouco se faz para proteger jogadores assim. Marcou um grande golo, fez, como habitualmente, a cabeça em água à defesa adversária, incapaz de acompanhar as suas movimentações e desmarcações, e ainda teve diversos passes de morte para os colegas (uma assistência para o primeiro golo do Cardozo, e o mesmo Cardozo e o Di María desperdiçaram dois passes que os deixaram na cara do guarda-redes). Depois da sua saída, o nosso ataque não voltou a ser o mesmo. Por falar em Di María, apesar de ter estado muito em jogo hoje, as coisas voltaram a não lhe sair muito bem. Insistiu demasiado em tentar resolver tudo sozinho, agarrando-se demasiado à bola quando as condições do campo não o aconselhavam. Ao contrário do habitual, também não gostei muito do David Luiz. Por último, uma menção ao Rúben Amorim, que teve a difícil missão de substituir o Javi García, e apesar de serem estilos completamente diferentes, julgo que cumpriu. Fez um bom jogo, quer na recuperação de bolas, quer na participação em jogadas de ataque. Acabou em inferioridade física, tendo ainda estado alguns minutos em campo apenas para fazer número, mas não aguentando até final.

Ultrapassada a crise de uma jornada sem vencer ('travados' pelo temível sportém desse mago da bola que dá pelo nome de Carvalhal e postos em sentido pelo remate do Veloso, o mais marcante e fantástico remate da história do futebol mundial), voltámos a colar-nos ao primeiro lugar. A equipa mostrou que não perdeu eficácia, e voltou a presentear-nos com uma vitória robusta, ainda que sem a exuberãncia doutras ocasiões. E os benfiquistas, ao comparecerem da forma que o fizeram esta noite, mostraram que mantêm a confiança nesta equipa. É para continuar.

Thursday, December 03, 2009

Primeiro

Missão cumprida. Apuramento para a próxima fase conseguido, e primeiro lugar do grupo garantido, ainda com uma jornada para jogar, num jogo com duas partes bastante diferentes, e no qual alguns jogadores que não costumam ser primeiras escolhar mostraram que são opções válidas aos habituais titulares.

Como vem sendo habitual na Liga Europa, Júlio César na baliza. Face às indisponibilidades do Luisão e do Sídnei, jogou o Miguel Vítor ao lado do David Luiz, conforme esperado. Daí para a frente, apenas há a destacar a poupança do Aimar e do Di María, sendo os seus lugares entregues ao Felipe Menezes e ao Fábio Coentrão. O Benfica teve uma entrada agradável no jogo, mas depressa esta sensação se desvaneceu, pois o jogo entrou numa toada mais equilibrada, com a bola a alternar perto de uma e outra baliza, mas sem que se visse bom futebol. O BATE apostava em lançamentos longos para os homens da frente, enquanto que nós íamos perdendo bolas no meio campo sempre que tentávamos fazer o nosso jogo de passes mais curtos. Para além disso, cometemos diversas faltas, que o BATE aproveitava para tentar fazer a bola chegar com perigo à nossa baliza. Foi num desses livres que aconteceu a jogada mais perigosa da primeira parte, com a bola, cruzada/rematada da direita, a bater na barra da nossa baliza, tendo a recarga ainda passado perto. Fora isto, a primeira parte não nos ofereceu muitos mais motivos de interesse. Apesar da necessidade imperiosa de vencer, o BATE parecia estar algo receoso do nosso contra-ataque, e nunca arriscou em demasia, enquanto que da nossa parte não parecia haver grande interesse em aumentar o ritmo.

A segunda parte foi bastante diferente, e claro que o motivo principal para que isso acontecesse terá sido o facto de termos marcado na primeira jogada que fizemos. Foi uma boa jogada de ataque, onde o Menezes aproveitou um passe de calcanhar do Coentrão para ganhar a linha de fundo, sobre a esquerda do ataque, e depois centrar atrasado para o Saviola marcar mais um golo na Liga Europa. Este golo deu confiança à nossa equipa, que agora trocava melhor a bola e conseguia mostrar a sua superioridade. Pouco depois dos quinze minutos, o Benfica praticamente matou o jogo quando, após mais uma boa jogada de ataque, o Saviola passou a bola ao Coentrão e este, dentro da área e mais uma vez sobre a esquerda, marcou com um bom remate cruzado. O jogo teria ficado resolvido ali mesmo, mas cinco minutos depois o BATE acabou por chegar ao golo de forma feliz (um autogolo do Miguel Vítor após a bola, cabeceada por um adversário, tabelar em si e seguir para a baliza), e voltou a acreditar. O Benfica pareceu tremer um pouco com o golo, e não soube aproveitar os muitos espaços que o adversário, empolgado com o golo, ia cada vez mais dando na defesa. Mesmo com o Aimar em campo, que idealmente seria o jogador para explorar esses espaços, pareceu-me que desperdiçámos várias ocasiões de contra-ataque (o próprio Aimar acabou por ter a melhor ocasião para marcar quando, solicitado pelo Cardozo, ficou na cara do guarda-redes e acabou por acertar-lhe com a bola). Do lado do BATE havia muita vontade, mas só mesmo recorrendo a livres e cantos é que conseguiam dar alguma sensação de perigo, e foi portanto sem grandes sobressaltos que chegou o final do jogo, com a vitória a sorrir às nossas cores.

Gostei bastante de ver o Felipe Menezes hoje. E não só pela jogada do primeiro golo, já que teve diversos pormenores muito bons. É ainda jovem, está a adaptar-se ao nosso futebol, mas poderemos ter ali no futuro um substituto para o Aimar. Gostei também do jogo do Coentrão, com um bom golo e não me deixando sentir a falta do Di María.

Foi bom conseguirmos esta vitória, que fechou definitivamente as contas do apuramento no nosso grupo. Mesmo não sendo fundamental, foi importante ganharmos, porque consigo imaginar o regabofe que seria e o que se diria caso o Benfica ficasse sem vencer num terceiro jogo consecutivo. Assim alguma gente sempre pode ir recolhendo as garras e as línguas bifurcadas, guardando-as para a próxima ocasião. Liga Europa resolvida, voltemo-nos agora para a Liga Portuguesa, e para o próximo jogo frente à equipa do rapaz que teve o bom senso de deixar o sportém a ver navios. Para ver se regressamos às vitórias na nossa Liga, depois da crise provocada pelo longo interregno de uma jornada sem vencer.

Sunday, November 29, 2009

Morno

Foi um jogo morno, que terminou com o resultado mais morno possível: uma igualdade a zero. É sempre difícil jogar contra estas equipas que agora aprenderam que a melhor maneira para tentar sacar um empate ao Benfica é atafulhar o meio campo de jogadores. Se, por um lado, o empate acaba por ser um mal menor sob um ponto de vista pragmático em termos de campeonato, e mantém os nossos adversários desta noite a onze pontos, por outro não me deixa totalmente satisfeito, porque sei que perdemos dois pontos com uma equipa que nos é inferior, tendo ficado com a sensação de que a vitória estava ali bem perto.

O Benfica apresentou um onze sem surpresas. O Maxi e o Peixoto regressaram às laterais, enquanto que no ataque o Cardozo estava de volta. Do outro lado apareceu o sportém com um meio campo de cinco jogadores, com dois trincos, deixando o esfomeado sozinho lá na frente, na esperança que ele conseguisse fazer outro dos milagres que costuma fazer contra nós. O sportém pareceu querer ter uma entrada forte, tirando partido do sobrepovoamento da zona central, que lhe permitia recuperar bolas nessa zona. Mas esta vontade ficou-se por pouco mais de cinco minutos, já que rapidamente o Benfica se organizou e equilibrou as coisas. Após pouco mais de um quarto de hora, o Benfica mudou tacticamente, de forma a equilibrar o duelo no meio campo, e abandonou o 4-1-3-2 habitual, dispondo-se em 4-4-2, com o Ramires a auxiliar mais na zona do Javi, e o Aimar a cair para a direita. O jogo entrou assim numa toada morna e equilibrada, que foi o tom geral do resto da primeira parte, embora nos últimos dez minutos o Benfica tenha crescido um pouco, tendo levado o jogo a desenrolar-se mais no meio campo adversário, mas sem que houvessem grandes sobressaltos. A qualidade do nosso jogo ofensivo sofreu com o facto do Di María ter passado praticamente ao lado do jogo durante esta primeira parte, enquanto que o Aimar, encostado à direita, também não esteve ao nível a que nos tem habituado, sendo muito menos interveniente no jogo (curiosamente, enquanto esteve na direita, o Ramires pareceu ser capaz de causar mais desequilíbrios).

A segunda parte iniciou-se com o Benfica a parecer ter ascendente no jogo, mas após cerca de dez minutos o sportém respondeu com o seu melhor período no jogo, e durante aproximadamente cinco minutos instalou-se perto da nossa área, conquistando vários cantos e culminando com um grande remate do Veloso, a proporcionar a defesa da noite ao Quim, e um remate do Moutinho para fora. O jogo pareceu depois entrar na mesma toada de equilíbrio da primeira parte, mas quando faltavam pouco mais de vinte minutos para o final o nosso treinador fez entrar o Rúben Amorim para o lugar do Aimar, o que veio alterar o equilíbrio do jogo. O Amorim foi colocar-se perto do Javi, regressando o Ramires à direita (onde voltou a criar desequilíbrios) e teve uma entrada bastante boa no jogo. Também me pareceu que os jogadores do sportém quebraram fisicamente, de forma que acabámos por ter algum ascendente sobre o nosso adversário até ao final do jogo, e desperdiçámos algumas situações que nos poderiam ter dado a vitória: uma situação em que o Di María, bastante à vontade sobre a esquerda da grande área conseguiu rematar contra o Patrício, outra em que o Amorim, desmarcado, voltou a rematar contra o Patrício quando poderia ter servido o Saviola no centro, e ainda uma oportunidade do Ramires, que de baliza aberta não conseguiu acertar bem na bola. A isto o sportém apenas conseguiu responder com um livre muito perigoso na meia lua, que foi mal marcado pelo Veloso contra a barreira. O apito final chegou, e deixou-me com a sensação de que se tivéssemos carregado um pouco mais, ou o jogo durasse mais alguns minutos, poderíamos ganhá-lo.

Os jogadores do Benfica que mais me agradaram foram o Ramires, e muito em particular quando esteve na direita, e o Saviola. A defesa esteve geralmente bem, mas também a verdade é que não teve propriamente muitas situações complicadas para resolver, já que a bola passou muito tempo na zona do meio campo, longe das áreas - durante a maior parte do jogo o esfomeado era o único adversário com que tinham de se preocupar, e conseguiram anulá-lo sem grandes dificuldades. O Di María esteve praticamente desaparecido na primeira parte, subindo de produção na segunda, mas sem grandes brilhos. O Cardozo também pouco se viu, e o Aimar, que passou quase todo o tempo encostado à direita, teve uma participação discreta no jogo.

Só no final do campeonato saberemos se isto foi ou não um bom resultado. Eu fiquei com a sensação de que poderíamos (e temos mais do que capacidade para) ter obtido um resultado melhor. É que eu senti-me quase sempre bastante tranquilo durante o jogo, porque o sportém nunca revelou capacidade para nos empurrar para a nossa baliza à procura da vitória. Pelo contrário, estive sempre com aquela sensação de que a vitória estava mesmo ali à mão, se nós quiséssemos arriscar um pouco mais para a ir buscar. O jogo raramente pareceu fugir de controlo, tacticamente estivemos sempre bem, e se havia alguém que teria que lutar desesperadamente por uma vitória, era o sportém. Não só não o fizeram, como nem pareceram ter capacidade para o fazer. Julgo que a equipa terá encarado este jogo como mais um de uma prova longa. Ou seja, uma vitória hoje, embora fosse sempre agradável, não era tão desesperadamente necessária que justificasse corrermos demasiados riscos para a obtermos.

Sunday, November 22, 2009

Taça

Aconteceu taça esta noite na Luz. Por mérito do Vitória, que soube sempre manter-se organizado na defesa e segurar a vantagem que conseguiu obter, e por (muito) demérito do Benfica, que jogou de forma desgarrada e desorganizada durante demasiado tempo, não sabendo encontrar inspiração ou soluções para romper a muralha defensiva adversária.

A primeira parte, em particular, foi demasiado fraca. Pelo meio era difícil construir jogo, devido à sobrelotação de jogadores do Vitória nessa zona, que quando não tinha a bola deslocava o lateral esquerdo para o centro, ficando na prática com três centrais, fechando o Desmarets esse lado. Para além disso, colocou três médios a fechar o meio, contando estes ainda com a ajuda do Assis (parece que os adversários já chegaram à conclusão que a melhor forma de atrapalhar o Benfica é mesmo acumular jogadores na zona frontal da sua área). Seria necessário, para contrariar isto, insistir bastante pelas laterais, mas o Amorim pouco apoiou o ataque na primeira parte, e do outro lado o Coentrão, apesar de ter vontade, não estava inspirado. E para complicar mais as coisas, o Aimar também não esteve nos seus dias. Quanto ao ataque, se o Saviola ia fazendo os possíveis para fugir às marcações, o Keirrison fez mais um jogo para esquecer, e esteve praticamente ausente do jogo, com a excepção de um remate. Se o panorama era sombrio, pior ficou quando, como tantas vezes acaba por acontecer em jogos destes, a equipa que está a jogar para não perder de súbito acaba por se apanhar em vantagem. Apesar do golo ter acontecido aos vinte e cinco minutos, era previsível que se o Benfica não alterasse a sua forma de jogar, as coisas acabariam mal. E a verdade é que pouco mudámos. Houve a troca de lados entre o Ramires e o Di María que, na minha opinião, só contribuiu para afunilar ainda mais o jogo, e não trouxe nenhuns resultados práticos, e até ao intervalo não me consigo recordar, à excepção de um livre do Aimar, de uma ocasião flagrante de golo por nós criada.

A segunda parte pareceu trazer um Vitória ainda mais defensivo, e um Benfica com alguma vontade de imprimir mais velocidade ao jogo, mas a falta de inspiração era evidente. Em termos territoriais e de posse de bola, o domínio do Benfica terá sido claríssimo (não sei quais foram os números, mas duvido que o Vitória tenha chegado aos 40% de posse de bola). Mas foi um domínio inconsequente, já que a baliza adversária raramente era ameaçada. Só nos quinze minutos finais, já com o Di María de regresso à esquerda, a saída do inconsequente Keirrison, e as entradas sobretudo do Weldon e do Felipe Menezes (teve uma entrada em jogo muito boa, e talvez teria sido útil se tivesse entrado antes), o Benfica começou a dar maior sensação de perigo. O Weldon veio dinamizar o nosso ataque, mas também é verdade que conseguiu falhar oportunidades claras, em particular um cabeceamento quase à boca da baliza, em que bastaria encostar a cabeça à bola. Julgo que não será exagero dizer que durante os quinze minutos finais conseguimos criar mais ocasiões de golo do que durante o resto da partida - e o Vitória terá sentido o perigo, já que teve que recorrer à simulação de lesões para queimar tempo, coisa que nem sequer tinha tido que fazer até então. Mas já era tarde para emendar os erros cometidos anteriormente, e faltou-nos acerto e calma na altura de finalizar, pelo que fomos penalizados com a derrota.

A desinspiração foi geral esta noite, e quando muito poderei escolher o Saviola como um daqueles que mais tentou remar contra a maré. Não fez um grande jogo, longe disso, mas nunca deixou de tentar desorganizar a defesa, estando sempre em movimento e desmarcando-se para receber bolas. Quanto ao pior, a escolha terá que ser obviamente o Keirrison. Mostra aqui e ali um ou outro pormenor, mas parece apático e completamente falho de confiança durante quase todo o jogo. O jogo do Benfica melhorou bastante após a sua saída.

Estamos fora da Taça, e se queremos queixar-nos de alguma coisa, julgo que teremos primeiro que olhar para nós próprios. Se é verdade que houve mérito na organização defensiva do nosso adversário, a verdade é que nos faltou quase sempre inspiração para resolver os problemas que nos foram apresentados - ao contrário do jogo com a Naval, em que conseguimos, de uma forma constante, ir criando oportunidades de golo ao longo de todo o jogo, e só por infelicidade e inspiração do guarda-redes é que foi necessário esperarmos quase até ao final para festejar. Hoje estivemos numa noite não, e infelizmente esta aconteceu num jogo da Taça, pelo que as consequências são irreparáveis. Agora, a melhor forma de levantarmos a cabeça é ganharmos no Alvalixo.

Monday, November 09, 2009

Coração

Foi uma vitória arrancada a ferros. Foi preciso um enorme coração, muito sofrimento, e acreditar até ao fim. A merecidíssima recompensa que chegou no final, da cabeça do Javi García, reforça ainda mais (se possível for) a nossa crença em sermos campeões. Hoje todos, equipa e público (42.000 pessoas na Luz), sentiram o quão importante era esta vitória, e também por isso se justifica a forma como foi festejada. São jogos destes que fazem campeões.


A principal curiosidade para este jogo era ver quem ocuparia os lugares do lesionado Ramires e do castigado Cardozo. No caso do primeiro, foi o Rúben Amorim, e do segundo, a escolha caiu no Nuno Gomes. E confesso que mal soube desta escolha, torci o nariz, porque não me pareceu que fosse a escolha mais acertada para um jogo com o cariz que se adivinhava que este teria. E não foi preciso esperar muito tempo para vermos confirmadas as expectativas sobre como decorreria o jogo. Ou seja, teve sentido único, sempre para a baliza da Naval, já que os nossos adversários desta noite limitaram-se a defender durante praticamente todo o jogo, concentrando os seus onze jogadores nos últimos trinta metros do campo. E desde cedo foi possível ver que teríamos no guarda-redes da Naval uma adversário de respeito. O francês Peiser defendeu tudo aquilo que havia a defender, e levou os benfiquistas quase ao desespero. O Benfica na primeira parte, apesar do domínio total, não fez um futebol tão bonito como o habitual. A Naval dispôs-se bem tacticamente, e as investidas do Benfica, maioritariamente pelo centro e pela direita, esbarravam sempre num pé, numa perna, ou na cabeça de um jogador adversário. O Aimar estava quase sempre marcado em cima, e tinha pouco espaço e tempo para fazer o nosso jogo fluir da melhor maneira.

E depois notava-se, e bastante, a falta do Cardozo. Era necessária uma referência no ataque, e o Nuno Gomes não era capaz de ser esse jogador, já que optava por esconder-se do jogo, encostando-se ao último defesa à espera de uma oportunidade. O Cardozo é por vezes acusado de ser demasiado estático, mas julgo que foi evidente que o Nuno Gomes teve uma participação muito reduzida nas nossas jogadas de ataque, ao contrário das várias jogadas em que o Cardozo costuma aparecer a segurar a bola na frente e a soltá-la para os colegas, ou até mesmo em tabelas ao primeiro toque. Os primeiros momentos de maior perigo acabaram por surgir de bola parada, mas o guarda-redes da Naval estava lá para defender os livres do Di María e do Javi García. O Benfica nunca deixou de insistir - tendo em conta que a Naval quase nem conseguia ter a bola durante mais do que alguns segundos, era difícil que tal não sucedesse - mas o golo estava difícil de surgir. Já era difícil furar a muralha defensiva da Naval, mas quando tal acontecia ainda surgia o guarda-redes como uma última barreira quase intransponível. Após uma boa jogada do Di María, conseguimos uma rara ocasião em que Nuno Gomes ficou em boa posição para marcar, mas demorou algum tempo a rematar e foi desarmado. Já quase sobre o intervalo foi o Saviola, no sítio do costume (ao segundo poste) a acertar no ferro após um canto, e a aumentar a preocupação de que estivessemos perante um daqueles jogos em que a bola não entrava mesmo que lá ficássemos a noite toda.

Para a segunda parte, nada de novo. Apenas e só um sentido de jogo, a Naval encostada à sua baliza, e um Peiser inspirado mais alguma sorte a fazerem com que um cada vez mais injusto nulo se mantivesse no marcador. Logo a abrir, uma falhanço incrível do Nuno Gomes numa recarga a um remate do Javi dava o mote. Em relação à atitude da Naval, no entanto, parece-me que não era a sua intenção defender de forma tão pronunciada, até porque é quase suicídio deixar-se ser sufocado desta forma. Mas isto foi também resultado da pressão enorme que o Benfica e também, porque não dizê-lo, todo o Estádio da Luz exerceram sobre o adversário. Não é que eles não quisessem contra-atacar e tentar ter também posse de bola, pura e simplesmente não o conseguiram (a posse de bola do Benfica deve ter ficado próxima dos 70%). Depois, elogio o facto de a Naval não ter recorrido ao antijogo. Ao contrário do que tem sido habitual nos nossos adversários, não houve jogadores a simular lesões, houve dureza mas não violência, e não vi os nossos adversários em constantes provocações e quezílias com os nossos jogadores. A oposição que a Naval nos fez foi puramente em termos tácticos, e leal, já que lutou com as armas que tinha. Começa a ser uma raridade na nossa liga, e por isso julgo que merece ser mencionada.

O Benfica continuou a martelar sobre a muralha da Naval, mas os remates acabavam sempre por encontrar um obstáculo. O Di María, com um grande remate, fez a bola voltar a acertar nos ferros da baliza (ainda com a contibuição do guarda-redes, que toca na bola). Tentou-se de tudo, desta vez com maior predominância pela esquerda, onde o Di María, apesar de algo desastrado e mais individualista do que seria desejável, era um dos jogadores mais em foco. O nosso treinador lançou para dentro do campo os dois pontas-de-lança que tinha no banco, Keirrison e Weldon, mas o golo parecia, ainda e sempre, difícil de conseguir. Até que, a um minuto do final, o Di María sofre uma falta na esquerda do nosso ataque. Já vimos a nossa equipa marcar vários golos assim esta época, e por isso a Luz acreditou, e puxou ainda mais pela equipa (durante todo o tempo de jogo, apesar do empate persistir, apesar das coisas nem sempre sairem bem aos nossos jogadores, nunca se ouviram assobios, e o apoio à equipa foi constante - e esta tem sido uma das nossas grandes forças esta época). O Di María marcou o livre, e no centro da área surgiu o Javi García a cabecear exemplarmente e (finalmente!) de forma indefensável para o fundo da baliza. E se calhar, nenhum dos jogadores em campo merecia mais aquele golo. Foi a explosão na Luz, o libertar de toda a tensão acumulada perante aquilo que já parecia ser um golpe injusto do destino. O apito final selou uma vitória que, todos nós o sentimos, poderá ser importantíssima na caminhada para o título que desejamos.

O melhor em campo, também pelo golo, mas não apenas por isso, foi para mim o Javi 'É uma vergonha' García. Que grande jogo fez o espanhol, quer nas suas tarefas habituais de recuperação da bola e auxílio à defesa, mas também empurrando a equipa para a frente e colaborando no ataque sempre que possível, tendo arriscado o remate de longe em várias ocasiões. O Di María, apesar dos 'pecados' que lhe apontei anteriormente, foi sempre um jogador importante na dinamização do nosso ataque, nunca se escondendo do jogo e assumindo a responsabilidade de ter a bola e conduzir os ataques. Bom jogo também do David Luiz e do Coentrão a lateral, pela terceira vez consecutiva para a Liga.

Agora lá teremos que parar mais uma vez para dar lugar aos habituais dislates e disparates do Queirósz e companhia. Mas vamos para esta pausa com a tranquilidade de termos voltado a apanhar os líderes, e de termos aumentado para cinco os pontos que nos separam dos andrades. O jogo desta noite era um daqueles momentos decisivos, e a equipa mostrou ter garra, alma e coração para alcançar o sucesso. É um orgulho vermos a nossa equipa jogar assim, e com esta atitude. À Benfica.

Thursday, November 05, 2009

Categórico

Após o 'soluço' em Braga, regresso à normalidade das vitórias, com uma exibição categórica, sobretudo na segunda parte. Face ao outro resultado do grupo, esta vitória deixou-nos à beirinha da qualificação, e só uma conjugação de resultados bastante improvável é que poderia colocar em causa a nossa passagem à próxima fase da competição. E foi tão bonito ouvir os adeptos benfiquistas em Goodison Park cantar 'E ninguém para o Benfica'.


Para além da já habitual troca de guarda-redes na Liga Europa, outras alterações, mais ou menos esperadas: Rúben Amorim no lugar do Maxi, David Luiz na esquerda, entrando o Sídnei para o centro da defesa, e subindo o Coentrão para o meio campo, para a saída da equipa do Aimar. Quanto ao Everton, pareceu que a goleada na Luz os fez ter mais cautelas, já que optaram por jogar com apenas um avançado, apoiado mais de perto pelo Fellaini, e colocaram mais um homem no meio campo, talvez com a intenção de evitar o jogo de passes rápidos do Benfica. A primeira parte pareceu-me ter sido geralmente mal jogada, e foi algo aborrecida de ver. A superioridade do Benfica nunca me pareceu estar em causa, mas houve demasiados passes falhados, e durante alguns períodos entrámos na onda do Everton, optando demasiado por passes longos. Esperava que fosse o Di María a opção para fazer de Aimar, mas a opção caiu preferencialmente sobre o Ramires, e geralmente sem resultados muito positivos, já que nos faltou capacidade para fazer posse de bola no meio campo adversário. Os nossos alas também estiveram discretos nesta fase, e esta primeira parte acabou por ter assim poucos motivos de interesse. Só a cerca de cinco minutos do intervalo houve um safanão na monotonia, quando o Coentrão arrancou um bom cruzamento da direita, e o Cardozo cabeceou a bola ao poste, para depois na recarga o Saviola obrigar o Howard a fazer uma boa defesa. Ainda antes do intervalo, uma preocupação com a lesão do Ramires, que foi substituído pelo Maxi.

A segunda parte foi muito diferente. O Benfica, inicialmente, pareceu estar a jogar num 4-4-2 linear, pois após a saída do Ramires o Maxi foi ocupar o seu lugar na direita da defesa, e o Rúben foi jogar praticamente ao lado do Javi. O Benfica começou a mostrar mais o seu jogo, a trocar muito melhor a bola junto à relva, e a pressionar mais alto. O Di María passou a estar muito mais em jogo, e nas saídas rápidas para o ataque a dar cabo do juízo aos jogadores do Everton. E na altura certa, o Jorge Jesus lançou Aimar para o jogo, para fazer girar o carrossel. Sinceramente, pelo que estava a ver, acho que mesmo sem o Aimar em campo o Benfica acabaria por chegar ao golo. Até porque momentos antes da entrada dele já o Di María, isolado exemplarmente pelo Cardozo, tinha conseguido não acertar na baliza. Mas após alguns momentos com o Aimar em campo, e já de regresso ao 4-1-3-2 habitual, o Benfica chegou ao golo. Após um contra-ataque conduzido pelo Di María, este combinou com o Saviola e, beneficiando de um ressalto, El Conejo fez, de pé esquerdo, o seu quinto golo em seis jogos para a Liga Europa. Faltava então pouco menos de meia hora para o final do jogo, mas após aquele golo ficou-se com a sensação de que a vitória já não fugiria, porque o jogo parecia estar completamente sob controlo. A quinze minutos do final o Cardozo, beneficiando de novo ressalto, deu a machadada final no jogo, e até final os nossos jogadores quase que se limitaram a recrear-se com a bola, sendo o único sobressalto uma grande defesa do Júlio César a um remate à queima-roupa, evitando o golo de honra dos ingleses.

A equipa esteve bem num todo, e foi por ter funcionado bem como um todo que vencemos esta noite. A defesa esteve bastante sólida, não se notando que o Sídnei estava ausente da equipa há tanto tempo, sendo também de destacar a exibição segura do Júlio César, mesmo sem ter tido muito trabalho. O Di María fez um bom jogo, que poderia ter sido muito melhor se não tem desperdiçado aquela ocasião flagrante, e o Saviola voltou a mostrar a sua classe. Mas devo mencionar também o grande jogo que o Javi García fez no meio campo defensivo, e ainda o Rúben Amorim, que foi um jogador de grande utilidade nas diversas funções que acabou por desempenhar ao longo de todo o jogo, tendo passado por três posições diferentes.

Aqueles que esperavam pelo descalabro da equipa após a jorgesousada de Braga vão ter que esperar mais um pouco. Este ano não só a equipa tem mostrado o futebol que sabemos, como tem demonstrado uma solidez mental muito grande, respondendo sempre da melhor forma a um mau resultado. Agora é prepararmo-nos para a visita à Luz de mais um antibenfiquista primário, de seu nome Inácio, na próxima segunda-feira.